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  • Luísa Aranha

Um dia a gente cresce

Um dia a gente cresce. Cresce e descobre que beijo de mãe não cura as feridas, mas ainda alivia as dores. Percebe que o mundo não gira em torno do nosso umbigo e que muito além das nossas vontades existem regras universais que ninguém entende, mas que se aplicam a tudo que não se explica.

A gente cresce e entende que relacionamentos são mais complicados que aquele amor de escola, que a gente gostava e gostava da outra. Que nem todo mundo sabe amar e que existem pessoas que só sabem machucar.

Cresce e descobre que o principie encantado não vem montado a cavalo e que ele não vai te despertar para a vida com um beijo apaixonado. A gente entende que, ás vezes, só amor e uma casinha não bastam. Que quem casa quer casa, dinheiro e orgasmo.

E quando a gente cresce descobre que tudo que falaram que era feio, proibido ou pecado, é lindo libertador e prazeroso. Que sexo não é sujo, desde que você queira e se cuide.

Crescemos e entendemos que ser mulher é mais do que usar rosa, ser delicada, casar e ter filhos. A gente percebe que ser mulher dói, sangra (e não é porque você ficou menstruada de novo) e afronta.

Um dia eu cresci. Você também. E descobrimos que o mundo está todo errado. Que tiraram nossos direitos nos enchendo de conceitos que não são nossos e sim impostos por uma sociedade que não admite que somos iguais.

A gente cresceu e descobriu, chorando por mais uma amiga, que morremos todos os dias por não sermos as mulheres que queriam que fossemos. Por termos largado as bonecas e descoberto os vibradores.

Eu cresci. E espero que você também. E que a gente consiga entender que para ser mulher é preciso ter coragem. Porque nesse mundo perdido, colo de mãe já não protege. Afinal, ela também é mulher.

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