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  • Luísa Aranha

Teorias sobre a indiferença masculina

Quando a gente é pequeno e briga com algum coleguinha na escola, os pais e professores vivem nos dizendo que a melhor coisa é ignorar. Na melhor das hipóteses, esse conselho entra por um ouvido e sai pelo outro.

Na grande sabedoria de nossa infância, e na mais cruel das sinceridades, afinal, crianças não mentem, até aprenderem que isso é conveniente, o que fazemos mesmo é bater boca. Até deixarmos o outro humilhado ou até a gente sair machucado.

Vamos crescendo e seguimos ouvindo o sábio conselho: ignore. Ignore o outro, ignore o que te machuca, ignore quem te faz sofrer. Simplesmente ignore. Uma coisa que não é tão fácil pra alguns, mas que outros aprendem rapidamente.

Os que aprendem, de tanto ignorar as coisas, pessoas e sentimentos se tornam indiferentes. E a indiferença, pra mim, é o pior dos sentimentos. Principalmente quando se é atingido por ela. Grite, xingue, me fale tudo o que quiser, mas não seja indiferente.

Os homens, talvez pela diferença hormonal, tem uma grande facilidade e podem se tornar mestres na indiferença. Sabe aquela velha mania de mulher de discutir a relação? Pois é exatamente nesse ponto que eles demonstram suas habilidades na arte desse sentimento.

Ela, ali, desesperada, por um pouco de atenção, algum argumento que a convença de que vale a pena continuar aquela relação. Ele, do outro lado, inerte, indiferente, sem dar uma palavra e, provavelmente, sem escutar uma palavra.

Não tem nada que faça uma mulher ficar mais desesperada, paranóica e raivosa que a indiferença masculina diante de uma DR (discussão de relacionamento). E elas não perdoam. Quanto mais ele se mostra indiferente, mais elas berram, xingam, insistem em levar aquela conversa até o final. Se preciso envolvendo a mãe do dito cujo.

Eles se defendem. Muitos amigos me dizem que essa coisa de discutir relacionamento é um atributo feminino. Que praa eles não faz o menor sentindo. Porque ou as coisas estão bem e se segue como está. Ou elas não estão bem e se acabam.

Tão pratica a visão masculina, que chega a dar uma pontinha de inveja. Infelizmente mulheres tem hormônios diferentes e por mais que eles tentem explicar, nós nunca entenderemos porque o assunto relacionamento é um tabu.

Aprendi que para se manter um relacionamento é preciso que cada um ceda um pouquinho. Então nós mulheres poderíamos ceder nas discussões, faze-las menos vezes, evitarmos promover uma DR em épocas de TPM e eles poderiam ser um pouco menos indiferentes e manter um diálogo de cinco minutos, ao menos.

Seria uma grande conquista de ambas as partes. Talvez uma daquelas coisas que entrassem pros Direitos Universais. Mulheres tem direito a discutir a relação e homens direito a um pouco de indiferença, mas só um pouquinho...

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