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  • Luísa Aranha

Somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar

Os mesmos homens contra o aborto são os que queimaram mulheres na fogueira. As mesmas mulheres que eles Os mesmos homens contra o aborto são os que queimaram mulheres na fogueira. As mesmas mulheres que eles cobiçavam na cama, temiam na sociedade e não controlavam dentro de casa.


Depois, eles vem querendo dizer que nós somos o sexo frágil. Será?

Criaturas que têm o poder de gerar uma vida não temem nada, a não ser a força da natureza.


Então o que eles fizeram?

Inventaram histórias e jogaram a culpa de todos os seus erros em nós.

Afinal, foi Eva quem condenou a humanidade (Tá bom, Claudia. Senta, lá!), mas ninguém conta, que antes dela, houve outra, que se recusou a se curvar ao patriarcado. Ah! Mas mandaram ela pro inferno por isso... (adivinha quem escreveu???)


Nossa carne foi estigmatizada como pecado, nossa liberdade cerceada com casamentos abençoados pela igreja, nossa voz silenciada com leis que eles mesmos criaram pra dizer que éramos menos.


Resistimos e nos queimaram em fogueiras, tentando nos silenciar.


Reescreveram leis, nos tornaram objetos, nos dividiram entre pra casar e pra gozar.

Dominaram nossos corpos, criaram mais leis que tiraram nosso poder de escolha, que encarceraram nossas vontades e desejos.

Nos tornaram seus pecados, padronizaram, encaixotaram. Em nosso nome se tornaram violentos e nós nos tornamos vítimas.


Nos ensinaram a sentar de pernas fechadas, enquanto eles arregaçavam mais as suas. A romantizar o sexo, enquanto gozavam livremente. A ter vergonha do corpo, enquanto se satisfaziam todos os dias com as próprias mãos.


Por fim, se adonaram dos nossos corpos, da nossa capacidade reprodutiva e de nossas vidas com mais leis.


A fragilidade feminina foi construída a partir do medo de homens que nunca compreenderam que sangrar todo mês e parir não é feitiço, é conexão com a natureza.

Eles seguem repetindo, homens não choram, como se sensibilidade fosse defeito. Seguem nos dividindo, seguem escrevendo suas leis sobre nós. Mas, no fundo, eles sabem que ninguém segura a força de uma mulher, quem dirá de todas elas.

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