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Sociedade doente


Hoje foi um dia difícil de ser mãe.

A cada grito das crianças na escola, meu coração disparava.


Eu ouço todos os dias. Enquanto escrevo minhas histórias ouço as risadas, a correria, o recreio, as brincadeiras. Tem dias que juro que posso ouvir a voz do meu filho (ou melhor, os gritos!). As vezes desligo, porque já incorporei o barulho a minha vida.

Hoje não. Fake news ou não, qualquer mãe sentiu um aperto no peito ao ouvir um grito infantil na rua. Consciente ou não, toda mãe pensou por algum segundo que pode ser o filho dela.


O que leva uma pessoa a ameaçar crianças?, essa pergunta não saiu da minha mente.


A gente não vai dar ibope para essas pessoas, mas a gente precisa pensar em por quê coisas assim estão acontecendo. Precisamos refletir que sociedade é essa que vivemos onde crianças em suas escolas são alvos.

Onde a morte foi banalizada. Uma sociedade que tem mais farmácias nas esquinas que espaços de lazer, pessoas morando na rua e outras em casarões imensos. Que alguns tem de tudo no prato e outros tem que escolher que refeição fazer (quando conseguem algo para comer). Que uma vítima é violentada inúmeras vezes até obter (se conseguir) justiça.


Uma sociedade que odeia mais que ama.

Que bate mais que conversa.

Que acumula mais que compartilha.

Que valoriza mais as armas que os livros.

Que não respeita o outro.

Que a ciência foi desacreditada.

Que religião, dinheiro e política se misturam.

Que a cor da pele influencia em como se é tratado na rua.

Que estupra, agride, mata.

Que ameaça escolas.


Estou cansada de viver com medo.

Por ser mulher, por ter uma filha, por ter um filho.

Dos homens, da polícia, da justiça.

De andar na rua, dentro de casa, no hospital, no necrotério e agora, na escola.


Estou exausta.

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