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  • Luísa Aranha

Sem sentido

Pessoas deixam de fazer sentido.

Assim como situações, lugares e palavras.

Aquele eu te amo dito antes,

hoje não tem mais sentimento.

Aquele travesseiro favorito dá dor nas costas

e a praia preferida ficou agitada demais.

A vida é feita de ciclos. Alguns podem ir e vir.

Outros podem ser mais longos e outros curtos.

Alguns se findam. Alguns nunca terminam.

Mas sempre em ciclos.

É estranho um dia perceber que aquela pessoa,

não é mais a mesma, ou foi você que mudou as lentes.

Ambos, talvez?

Não sei. Perdeu o sentido.

Um dia eterno, no outro terno.

Memórias, lembranças, carinho do tempo de convívio.

Só que a conversa não engata, as ideias não fecham

e as decepções dilaceram.

Porque algumas coisas não são opiniões,

são pregos em caixões.

Chora-se o luto, da humanidade, da amizade,

da empatia, da solidariedade,

dos flagelos, de muitos.

Enterra-se os sonhos de gerações,

em nome do próprio umbigo,

do privilégio,

do poder não olhar pra si mesmo

e se distrair com fotos coloridas.

Os lugares deixam de fazer sentido,

os amores também.

Mas não deveriam.

Não por conta de um genocídio.

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