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  • Luísa Aranha

O tal sentimento de posse

Sabe aquela coisa que a gente sente que o que é nosso é só nosso e não pode ser de mais ninguém? Então, esse é o tal do sentimento de posse. Que nós, simples seres mortais normais, carregamos conosco. E ele não tem nada haver com egoísmo. Porque egoísmo é não emprestar. Posse é ser dono de algo. Exercemos o direito a possessividade sobre várias coisas, objetos, sentimentos e pessoas.

Sua mãe é sua e você não empresta. Escova de dente também. Suas lágrimas você não divide e nem empresta de jeito nenhum. Calcinhas e cuecas deveriam seguir essa regra, mas tem gente que (eca) abre mão da possessividade. Também é por direito adquirido somente seu o namorado, marido, rolo, caso, ficante ou amizade colorida. Ninguém quer dividir, de fato, as coisas que são só suas.

Mas hoje levanto uma teoria importante sobre o sentimento de posse. Sabe aquele seu ex, problemático até o último fio de cabelo, que você dispensou e que nunca, na vida, imaginou que  seria capaz de superar o trauma da separação? De repente você encontra ele, andando no shopping, feliz da vida, empurrando um carrinho de bebe, com uma criança linda dentro e, de quebra, um mulherão, de parar o trânsito, pendurada no braço.

Para tudo que eu quero sumir! A auto estima vai lá embaixo. Fundo do poço é pouco. Você se vê abaixo dele, se é que existe. Você está casada. Feliz. Tem uma família super bacana. É uma profissional bem sucedida. Vive em todos os eventos 'vips' da cidade. Mas não interessa. Como um veneno que entra na corrente sanguínea e se espalha em poucos minutos por todos os órgãos e tecidos. Você está totalmente acabada por saber que ele superou o trauma do ponta pé que levou de você.

Posse. Totalmente seu. Aquele ex se deu o desfrute de sair da deprê, tocar a vida em frente e arranjar uma outra mulher. E além disso ela é gostosa, tem senso de humor e inteligente. Como ele ousou fazer isso com você? E o pé na bunda não significou nada?

Não adianta. Você vai para casa acabada. Nada é capaz de levantar seu astral. Nem as compras ajudaram. A coisa fica feia. A barra de chocolate, o pote de sorvete, os biscoitos e os litros de coca-cola são pouco para resolver o caso. Você fica se perguntando porque e como ele conseguiu se esquecer. Em que parte do fora dado não ficou bem claro. Onde foi que você errou?

Como péssima perdedora e usando todo aquele sex appeal, que sempre desperdiçamos nesses casos, você liga para ele. Como quem não quer nada. Só para contar como também está bem. Ele não dá a mínima atenção e ainda lhe dispensa rapidamente para atender a esposa ( sim ele fala esposa e você sente que ele a ama) que precisa de ajuda com a criança.

O sentimento de posse só aumenta. Você fica com aquilo na cabeça por algum tempo, pensando que não teve importância nenhuma na vida dele e que ele a trocou (detalhe que quem deu o fora foi você) por outra. Se sente a última das mulheres. Imagina como teria sido sua vida se não o tivesse dispensado. Não acredita que botou fora o melhor homem do mundo.

A sorte, de todas as mulheres, é que sempre se tem uma amiga para apoiar a  loucura. Depois de várias horas de conversa sobre como aquele canalha (sim a essa altura a culpa é toda dele) pode fazer isso com você. A amiga ( a mesma que te apóia a derrubar o cafajeste) dá a cartada final. Te lembrando como você é muito melhor do que a plastificada e bombada ( claro com certeza tudo aquilo é plástica, silicone e anfetamina) mulher dele. Então, se sentindo por cima da carne seca novamente, você desliga o telefone com a auto estima recuperada e se arruma para o jantar como se nada tivesse acontecido.

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