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  • Luísa Aranha

O Rio Grande do Sul acordou cinza

O Rio Grande do Sul acordou cinza hoje. Um dia nublado, silencioso, com um vento frio que não permiti com que os pássaros cantem. Um sentimento de luto. Um grito trancado na garganta, uma vontade de reagir, um jeito gaúcho de ser que ficou de lado.

Os gaúchos acordaram tristes hoje. Velhos heróis se reviram em seus túmulos e concluem que tudo foi em vão. Logo nós. Seus herdeiros de sangue, de legado, os filhos dessa terra antagônica, de grandes paixões, de grandes ideais, de grandes símbolos, de grandes homens, cansamos de lutar.

Não somos mais gaúchos antes de brasileiros. Não somos mais chimangos ou maragatos. Não somos mais gremistas ou colorados. Não somos mais de direita ou esquerda. Não somos mais o estado celeiro do país. Não somos mais o Rio Grande do Sul símbolo de resistência no Brasil. 

Agora somos apenas mais um estadinho. Somos apenas mais um povinho. Somos apenas mais um. Não somos mais o povo heróico, aguerrido e bravo de Bento Gonçalves, Coelho Neto e  Garilbaldi. Não poderemos mais dizer que Anita, largou sua vida, sua terra e lutou bravamente para defender nossa gente, nossos interesses. Não somos mais os mesmos. Não temos mais tradição. Nos perdemos de nossa história.

Demonstramos nas urnas que somos um povo cansado de lutas. Um povo que perdeu seus referenciais. Uma cultura em decadência que não honra mais seus filhos ilustres. E se eu for falar de todos os lideres gaúchos e o que eles diriam nesse momento, me perderei em casos e histórias que no dia de hoje não fazem mais sentido.

Entendam que minha questão não é contra a vitória de Tarso Genro. Não. Parabenizo o futuro governador. Minha reflexão é sobre uma vitória esmagadora em primeiro turno. Primeiro turno. Assim direto, de cara. Sem lutas, sem chances, sem resistência do povo.

O mesmo estado que nunca reelegeu um governador. O mesmo estado onde sempre a política foi o assunto predileto dos almoços de domingo. O mesmo estado que sempre impôs resistências. O nosso estado de amores e ódios. O Rio Grande do Sul das tradições, das revoluções, das resistências.

Mostramos nas urnas o cansaço. Mostramos nas urnas que esquecemos de nossa tradição. Demonstramos nessas eleições que não somos mais resistentes. Não somos mais antagônicos.Não somos mais os mesmos gaúchos. Apagamos nossa história. Esquecemos nossas características e a partir de agora somos apenas números de uma maquininha do IBGE.

O dia 3 de outubro de 2010 entrará para a história de nossa gente. Será lembrado sempre como o dia em que os gaúchos mostraram que não são mais ou mesmos. O dia em que assinamos, de fato, o tratado de paz da Revolução Farroupilha. Será a data que lembrará que não somos mais antagônicos. Não somos mais resistência. E nunca mais poderemos dizer, com orgulho, que sirvam nossas façanhas de modelo a toda a terra.

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