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  • Luísa Aranha

O desconhecido

Um dia eu abri a porta e quem eu encontrei sentado na sala vendo tv era um desconhecido. Na programação um filme de terror. Algo tipo A Hora do Pesadelo 3, com menos sangue e mais drama.

O desconhecido me encarava como se não me enxergasse. Nos seus olhos faíscas de raiva brincavam e nas suas palavras doses de veneno eram liberadas homeopaticamente para ferir.

Fisicamente ele ainda era o homem que vivi a última década, mas no seu olhar não havia mais vida.

Eu não sei como os amores acabam. Mas sempre pensei que era algo que acontecia com o tempo, com a rotina, com sinais sutis no dia a dia. Não de uma hora pra outra. Não sem a gente conversar ou falar. Não sem pelo menos se tentar.

Mas foi assim. Assim o desconhecido se instalou na minha casa. Da noite pro dia e sem ao menos colocar na balança o que significava tudo isso. O desconhecido e sua repulsa. O desconhecido e nossa vida destruída. O desconhecido e o medo. O desconhecido e uma vida inteira jogada fora e outra para ser desbravada.

No final o desconhecido me fez um favor. Me mostrou que eu ainda vivo, pulso e sou capaz de recomeçar. De uma forma totalmente nova e sendo quem quero ser. Vivendo novas vidas e possibilidades, vivendo novas histórias e, principalmente vivendo a minha vida.

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