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  • Luísa Aranha

Minha certeza incerta

Por mais que eu tente não consigo me livrar de você. E eu quero, quero muito poder esquecer, superar, recomeçar. Mas você é aquela cicatriz que demora a curar. Aquela ferida que permanece aberta e quando está quase fechando até sol faz reabrir.

Você não foi ruim. Eu não fui ruim, Nós não fomos ruins juntos. Por isso talvez seja mais difícil admitir que preciso colocar um ponto final nessa história. Chega de reticencias… Mas todas as vezes que tento são exclamações e interrogações que surgem. Por que não eu? Por que não nós? Por que não pode ser?

As coisas mais valiosas que aprendi foram com você. Coisas que me encorajam, me estimulam, me incentivam a seguir em frente. Mesmo que seguir em frente seja superar você. As portas se fecham, as janelas se batem e ainda assim você permanece dentro. Dentro de mim, dentro de nós. Dentro do que um dia não fomos. Ou fomos. Ou não seremos.

Eu sinto falta do teu toque, do teu cheiro, do teu gosto. Mas principalmente da tua voz. Tua voz falando manso no meu ouvido, reafirmando o que eu sempre soube e nunca quis aceitar. Tua voz sussurrando gemidos de um amor que não será. Que não foi. Que não poderá ser.

Me pergunto por quê. Por que não eu? Por que não nós? Por que não pode ser? Me indago e me exibo pensando se não éramos o melhor. Numa realidade paralela, onde não exista passado ou presente, não existam distâncias, vergonhas, mentiras, onde não existam nossas vidas. Nossas idades, nossas cores, nossos sexos. Onde seja apenas eu e você.

Você é aquela cicatriz que não quero que cure. Você é meu machucado mais feliz, a lembrança do que um dia poderia ser e o amor mais improvável de se ter. Você é a minha certeza, incerta. Minha doce ilusão de uma vida diferente. Você é o cara, aquele que sempre vai ser. Mesmo depois dos outros.

É você e nunca será diferente…

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