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  • Luísa Aranha

Meu crime: twittar o que pensei

Eu estava com um assunto em mente bem bonitinho para postar nesse primeiro dia útil de 2011. Light, cheio de esperanças, desejos de um ano melhor e todos aqueles bla, bla,blas. Era bacaninha e valia a pena.

Mas quando eu abri meu twitter hoje vi que estava sendo acusada de criminosa, incitadora da violência e sendo chamada de degenerada, filha de pais degenerados e ainda sendo comparada a Mayara Petrusso ou aos meninos que espancaram homossexuais na Avenida Paulista.

Demorei um pouco a entender. Nem sabia o que estava acontecendo. Fiquei meio chocada nos minutos iniciais, até que minha ficha caiu. E depois dela cair comecei a rir. Vamos voltar no tempo e entender o que aconteceu para eu ser tudo isso de que me acusaram.

No sábado estava na minha bela casa, com a TV ligada e a o computador em punho. Fazendo coisas bem domesticas como costurar roupas e por a casa no lugar. A TV ligada mostrava a posse da presidente eleita Dilma. Ou melhor mostrava o show da Dilma.  Show no sentido de espetacularização. Milhões de reais gastos para montar o circo da posse de qualquer presidente. E, por favor, me entenda, não é porque é a Dilma, mas qualquer um que tivesse ganho a eleição teria tido o mesmo show. Esse fato já me revolta. Afinal, enquanto o salário mínimo aumenta 30 reais por falta de verbas do governo, se gasta horrores para fazer uma posse, 110 milhões para reformar o Palácio do Planalto para o novo presidente. E ainda por cima os senadores, deputados e vereadores tem aumentos significativos em cima dos impostos que nós pagamos.

Ouvindo e vendo isso na TV twittei: 110 milhões pra reformar o palácio do planalto, aumento para senadores, deputados e vereadores e o salário mínimo sobe só 30 pila?

E em seguida postei: Enquanto o povo passa fome se diverte com o show da Dilma! Parabéns Brasil!

Segui olhando na televisão o Show da Dilma e cada vez me revoltava mais. Afinal a imprensa toda fazendo um carnaval de uma coisa que deveria ser normal. Se somos uma democracia e de 4 em 4 anos mudamos de presidente, precisa isso tudo? Acredito que não. Se faz parte de nossa cultura deveria ser natural.

Não votei na Dilma. Não votaria nela. Tenho convicções e posições politicas bem definidas. E nem é por que ela é cobra criada de Lula. Porque acredito que ele fez um bom governo. Alguns escândalos, algumas irresponsabilidades, coisas que "nunca antes na história do Brasil" tinham acontecido. Mas para mim, veja bem, é minha opinião, um tanto quanto assistencialista demais o governo do Tio Lula. Não foi o primeiro e nem será o último. Infelizmente é mais fácil dar o peixe que ensinar o povo a pescar.

Bom, voltando as minhas twittadas, olhando todo o carnaval pensei e twittei: Confesso que eu estou olhando o show da Dilma esperando por algum louco acertar um tiro nela. #pqeusoudessas

Esse foi o motivo de ser chamada de tudo aquilo que falei lá em cima. Agora preste bem atenção no que eu vou dizer. Eu não mandei ninguém pegar uma arma e atirar na presidente eleita. Eu não incitei a violência. Eu não quero que a mulher morra. Por mim, ela que seja muito feliz, mas sim, não queria que ela fosse presidente do Brasil. Não acho ela uma pessoa realmente preparada, não acredito que ela servirá de fantoche do Lula e nem em todas as teorias que os grandes cientistas políticos espalham por ai. Usei essa figura linguagem de forma ironica. Mas enfim usei ela e agora sou chamada de criminosa.

Mas ai me pergunto. Sou criminosa por ter expressado virtualmente algo que passou na cabeça de milhares de pessoas. Algo que passa até na cabeça de quem faz parte do governo, afinal se não passassem não teria necessidade de uma esquema de segurança forte.

Em plena campanha, quando agrediram o Serra, os agressores foram chamados de baderneiros. E muitas, mas muitas, pessoas acharam lindo. legal e ainda disseram que deveriam ter batido mais no candidato.Para mim, isso sim é incitar a violência.

Os blogs que me acusaram e usaram o meu nome são http://cbjm.wordpress.com/ e http://www.blogcidadania.com.br/. O primeiro não tem o nome de quem os faz. Ou seja, é o blog que alguém que não tem nem coragem de mostrar a cara. O segundo é de um cara chamado Eduardo Guimarães que eu nunca tinha ouvido falar.

Antes de escrever esse post-defesa, fui dar uma navegada pelos blogs, até para ver se era coisa de gente séria, de bons jornalistas, de pessoas responsáveis. Não vou nem perder meu tempo tecendo conclusões sobre esses blogs/pessoas. Se quiserem os links estão ai para que cada um tire suas próprias conclusões. A única coisa que faço questão de falar é que bons profissionais sempre tem seu lugar ao sol e não precisam criar motivos e envolver outras pessoas para se promoverem. Respeito a opiniões diferentes faz parte da formação de um bom jornalista.

Sim eu pensei que poderia um louco atirar na Dilma. Não eu não incitei ninguém a pegar uma arma e matar a PRESIDENTA. Sim eu respeito a opinião dos outros. Não eu não tolero preconceito e falsas acusações.  

E se começamos o governo assim, com o silencio das ditaduras, e não o barulho da imprensa livre, começamos mal. Muito mal. Um curso de interpretação de texto, leitura e principalmente de saber ouvir não faria mal a ninguém.

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