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  • Luísa Aranha

Incontinência urinária e outras vergonhas

Outro dia eu fiz xixi na calça e preciso confessar com um pouco de vergonha que isso não é algo tão raro na minha vida. Acontece se estou rindo muito, se estou com a bexiga cheia e algo me distrai e esqueço da vontade de ir no banheiro ou apenas pelo banheiro estar perto demais e a vontade grande demais que a ansiedade de chegar até o vaso sanitário se torna maior que a atenção em prender o xixi. É, isso não deveria ser comum numa pessoa de 36 anos e muito menos deveria ser comum quando eu era adolescente ou com 20 e poucos anos. Mas posso ficar feliz, controlo o problema melhor aos 36 que aos 20 (sinal de quanto mais velha, mais poder terei sobre o xixi nas calças).

Uma vez estava voltando para a casa de um churrasco, num bairro longe demais, com cerveja demais e quilômetros de distância do próximo banheiro. Então, mesmo depois de ter ido ao banheiro antes de ir embora, na metade do trajeto eu já estava apertada. Muito apertada. A rua estava bastante deserta pelo horário da noite e a sinaleira fechou. Parei o carro e me concentrei em segurar meu xixi na bexiga. Enquanto eu colocava toda a minha energia naquela tarefa, um louco veio a mil freando com o carro e jurei que ele ia bater em mim e com a velocidade me jogar no meio do cruzamento. Merda! Perdi a concentração e quando me dei conta estava ensopada de xixi no banco do carro. O bacana era que meu namorado estava me esperando em casa para a gente ir à uma festa. Vergonha em dose dupla.  Teve outra vez, no início da adolescência, em que estava com as minhas primas no meio do mato no interior. Eu já tinha dito para as gurias que estava louca pra fazer xixi e que não ia conseguir aguentar até chegar em casa.  Tentei fazer xixi atrás de uma árvore (o que nem precisava porque não tinha absolutamente mais ninguém ali além de nós três), mas travei. Mesmo com toda a vontade o xixi não saia. Continuamos caminhando, rindo, brincando e quanto mais eu ria, mais vontade dava. Até que eu enfiei o pé num buraco,  cai e sai rolando. Rolando e me mijando. Nada legal.  E foram tantas as vezes que chegando em casa a distância da garagem até o banheiro era sofrida demais, distante demais e com degraus demais, que o jardim ao lado da porta era regado involuntariamente. Desse tipo de xixi nas calças eu perdi as contas. Claro que fatores como cerveja demais a noite contribuíam para que isso acontecesse mais seguidamente.  Hoje, não tomo tanta cerveja, não tem tantas crises de riso e me controlo melhor. Os episódios de falta de controle urinário são mais escassos. Mesmo assim, outro dia estava bem apertada, sentada confortavelmente lendo um livro e não queria parar de jeito nenhum, por nenhum motivo do mundo, muito menos por um simples xixi, só que eu comecei a rir, rir de chorar, com as conclusões da autora sobre uma das crises que ela narrava, e quando eu percebi, tentei correr pro banheiro, mas já era tarde. Ninguém está livre disso. Eu pelo menos não estou. 

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PS: O livro era "Ta todo mundo mal" da youtuber Jout Jout e eu super recomendo! Quem é fã do canal dela vai se deliciar lendo o livro e imaginando ela narrando as situações. Em algumas das crônicas, ou melhor das crises, eu juro que ouvia ela me contando a história. 

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