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  • Luísa Aranha

Histórias mal resolvidas

Eu nunca gostei dos pontos finais. Sempre preferi as possibilidades eternas das reticências. Coleciono histórias mal resolvidas e de vez em quando vasculho uma delas a procura de sinais. É mais fácil deixar as janelas abertas que as portas cerradas. É melhor acreditar que um dia, aquela história pode ter um ponto final, do que saber que não existe possibilidade de edição.

Eu escolho as vírgulas infinitas, os parênteses e  transformo tudo em  uma grande oração. Para que é necessário colocar um ponto final? Talvez uma exclamação ou interrogação, mas jamais um ponto que acabe com tudo que um dia existiu. Não é o final da história, é apenas uma pausa nela.

Os pontos finais ficam para a morte. Ai sim, não existe mais chance de mudar o roteiro. Antes disso, tudo é possível. Três pontinhos que me permitem sonhar. Imaginar, pensar que um dia, aquela história que foi tão bonita, ainda pode ter um viveram felizes para sempre..., com reticências, por favor.

A eternidade não permite pontos finais. Só permite, que a gente, eu e você, resolva o que ficou para trás. Eu tenho medo das coisas não ditas ao mesmo tempo que idolatro tudo que poderia ter sido. Não é um jogo, é a vida. Se a história está mal resolvida, um dia pode se resolver. Afinal, não é a esperança a última que abandona o barco? Não é ela que mantem de pé toda a humanidade?

A esperança das reticências me move. E mesmo que impulsos me levem a dizer o que não foi falado, a ouvir o que não foi dito, a esperar pelo impossível, ainda assim prefiro a dúvida. Se tudo fosse certo como 2 e 2 são 4, não existiria nada além da química. E todas as outras possibilidades se terminariam ali. No ponto final.

Das coisas que eu também não entendo essa ausência presente ou essa presença ausente é a que mais me alimenta. Me aquece a alma as oportunidades. Longe e perto. Perto e longe. Do mesmo lado ou de lados opostos, tanto faz. Você ainda está e sempre estará, enquanto não falarmos o que faltou, enquanto deixarmos sem final.

Então deixa essa história assim... Mal resolvida do jeito que ficou, com as pontas soltas e  três pontinhos no final. Pode ser que seja apenas uma pausa. Quem vai saber? Existem roteiros infinitos que podem ser utilizados. Vai depender de mim, de você, de nós, da vida...

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