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  • Luísa Aranha

Fora do tom

De repente a gente descobre que não está mais na mesma sinfonia. Que em algum momento, sem perceber, ficou desafinado o dueto, perdeu o ritmo, a prosa e a poesia. A batida ficou fora do tom e tudo que era dança ficou estático. Isso aconteceu. Mesmo a gente imaginando que com a gente seria diferente.

Talvez fosse a rotina, a mesma música em repeteco constante numa play list desatualizada. Ou só mesmo nossos timbres que mudaram. Mais graves, mais agudos, mais distantes da melodia. Eu não sei você, mas eu, muitas vezes, sofro de uma roquidão severa que me deixa sem voz.  Aquela voz que um dia cantava sorridente encontrando a tua, hoje não quer ser produzida nas minhas cordas vocais.

Será que tem cura? Talvez algum doutor ajude. Ou uma nova droga, dessas que anestesiam, alivie. Quem sabe apenas o tempo possa curar tamanha afonia. Ou quem sabe o melhor é cada um cantar sozinho novas histórias desafinadas até se achar o embalo perdido. Eu não sei.

Não escuto mais a nossa música. E quando escuto me vejo irritada, com vontades de gritar e correr. E então a voz falha e eu só consigo sentar. Não deveríamos dançar? Quem sabe trocar a música, tentar novos ritmos de punkrock a MPB existem milhares de variações que a gente pode aprender. E a gente quer aprender? Eu não sei.

Só sei que nosso dueto está afônico, catatônico e desafinado. Só sei que nossas vozes não se encontram mais no mesmo tom. E eu quero encontrar o tom. Quero encontrar tua voz no final do dia e saber que ainda existe uma melodia pra nós.

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