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  • Luísa Aranha

Dona do meu tempo

Tic, tac, tic, tac, tic, tac... A folha em branco me encara. Totalmente alheia ao barulho do relógio que intensifica a minha ansiedade. Os segundos vão passando. Cada tic tac, é um segundo a menos. Uma palavra não escrita, uma frase não dita. Um tempo perdido.

Eu encaro com perseverança. Tento fingir que não escuto o seu barulho constante. Penso em tira-lo da parede ou arrancar-lhe as pilhas.  A folha em branco continua me olhando, afirmando que estou perdendo meu tempo. O que eu poderia fazer se não houvesse essa folha em branco em minha vida? Mas e não é, de certa maneira, a vida uma imenso livro em branco em que cada amanhecer escrevemos novas páginas? Não seriam os ponteiros dos relógios nossos cronômetros diários que ditam o ritmo e findam a página? O tic tac se torna mais audível e enquanto me perco em pensamentos ele parece me desafiar. A folha segue em branco, o sol  dispara seus raios e convida pra vida. Sobre o que eu deveria estar escrevendo? Histórias de amor mal contadas, amores inacabados, contos de fada que não são reais? O relógio segue me ditando o tempo. Meu tempo está se esgotando. Eu precisaria de mais segundos nessa vida desavisada para realizar todos os sonhos. Me torno escrava do tempo, quando deveria ele ser meu súdito fiel. De que me adianta seu desespero veloz em passar se não sou capaz de dizer como devo usa-lo? A folha em branco me persegue, igual ao constante movimento dos ponteiros do relógio. Não existe lógica. Apenas seu movimento. E eu... eu quero ser dona do meu tempo.

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