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  • Luísa Aranha

De onde vem as ideias

Muitas pessoas me perguntam de onde vem as ideias. Confesso que não sei. São assuntos com amigos, coisas vividas, fatos que aconteceram com outras pessoas ou vistos na tv, lidos no jornal ou em revistas. São histórias e sei que muitas pessoas se identificam com elas no dia a dia porque são coisas reais.

Sempre tive imaginação fértil. Minhas primeiras lembranças do meu mundo imaginário me remetem ao tempo de escola primária. Fui jogada da sacada da casa de mamãe pelo Nei. Verdade? Não, claro que não. Mas minha imaginação contava como se fosse. Eu joguei golfe por muitos anos. Vocês sabiam? Claro que não. Nunca joguei. Mas meus professores acreditavam que sim.

Depois com os amiguinhos eu fazia parte de um grupo de espiões infantis que tentavam salvar o Brasil de uma invasão européia. Mais tarde tive uma amiga que reencarnou o espírito da mulher do Drácula e procurava alguma coisa pra se libertar dele antes que ele a levasse embora. Tudo mentira. Tudo imaginação.

Quando se é pequeno a linha entre a imaginação e o real é muito tênue. Normalmente as crianças acabam sendo podadas pelos pais. Cada vez que inventam uma história são acusadas de mentirosas e isso faz com que a imaginação vá perdendo força e eles vão se tornando adultos.

Também fui podada muitas vezes, mas por algum motivo minha personalidade não aceitou isso. E continuei pensando nas histórias mirabolantes e vivendo em mundos paralelos. Com o tempo fui aprendendo a diferença entre o real e o imaginário. Entre a mentira e um causo. Entres histórias e estórias.

Na adolescência, fase em que a emoção está em voga e amores platônicos são um rio cheio de lágrimas, descobri o quanto aquele universo me atraia. Não o de namorar em si. Mas o de imaginar os romances. Os encontros e desencontros. Fantasiar os atos do ser desejado. Mesmo que na maioria das vezes ele não soubesse que era desejado.

Foi aí que comecei a escrever. Nesse momento percebi que gostava, de vez em quando, mais do mundo imaginário do que do real. Ganhei uma maquina de escrever (sou velhinha mesmo) do meu pai. Presente de quinze anos. Me grudava nela e escrevia telenovelas. Bobas, infantis, adolescentes. Mas que faziam todo sentido pra mim. Daquele tempo nada restou. Nem a máquina, nem as telenovelas e nem os amores.

Depois por muito tempo não escrevi. Só meus diários e agendas. Guardava sentimentos, emoções, fatos vividos. São o meu mais precioso bem. Porque um dia quando a memória faltar, lá estarão, todas as minhas recordações.

Voltei a escrever muito tempo depois. Talvez uns cinco anos atrás. Escrevi um romance. Com muita realidade. Uma história comum. De uma mulher comum. Com coisas comuns. Cheia de sentimentos femininos e masculinos traduzidos em palavras.

Depois disso veio a faculdade de jornalismo. Passei a escrever como aspirante a profissional. Matérias, trabalhos, muitas coisas envolvendo comunicação. Muitas crônicas e artigos. Com paciência conciliei as histórias, os contos e os trabalhos da faculdade e do estágio. Mas não mostrava pra ninguém. Tinha vergonha desse lado literário.

Agora publico, tudo aqui, no blog. Passo, as vezes, horas na frente do computador pra digitar algumas linhas e não gostar. Em outros momentos, sento aqui e tudo sai. até sem me dar muita conta do que estou fazendo. E no fim acabo gostando muito.

E as ideias? Comecei a prosa pra falar delas. Pois bem, elas vem da cabeça. Da rua. Dos amigos. Acredito mesmo que elas saem da vida. Da loucura do mundo que cada vez fica mais complicado e as pessoas tem menos tempo pra amar e ser feliz!

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