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  • Luísa Aranha

De longe

Olho as fotos coloridas, postadas nas redes sociais, com olhos que brilham e sorrisos sinceros, e tudo que penso é que deveria ser eu ao seu lado. Sei que nada é fingimento. Eu não consegui deixar de estar lá num momento tão importante pra sua vida. Foram noites insones atrás desse objetivo, que era teu e virou meu.

Chorei quando chamaram o teu nome. E chorei dobrado quando foi a ela que tu agradeceu. Porque deveria ser eu. Acompanhei de longe cada gesto trocado entre vocês. A cumplicidade latente que emanava dos olhares que um dia foram meus. Eu sei. Fui eu. E ainda assim eu queria que fosse para mim.

No dia que fechei as portas, joguei a chave fora e sai arrastando a mala velha com as rodas quebradas pelas calçadas tortas, eu não sabia. Não podia imaginar que doeria daquela forma. E nem que você rapidamente encontraria alguém para o meu lugar. Não apenas nos lençóis puídos da cama do apartamento conjugado. Mas alguém que ocupasse o vazio do peito que eu arrombei quando me fui.

Eu sei. Deveria ser eu. Doeu ver que não fui infinita para ti, que ela te faz tão feliz, que existe amor entre vocês. Mas doeu mais ainda saber que eu nunca mais serei o motivo do teu riso, o nome a ser exaltado pela tua voz rouca ou o olhar apaixonado. Porque eu sei que nunca mais serei a tua menina e nunca mais terei o teu bom dia. Serei Apenas o passado, mesmo querendo ser o agora. E a culpa foi toda minha e da mala de rodas quebradas.

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