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  • Luísa Aranha

Amor apesar da guerra

Ele se aproximou devagar. Não queria assusta-la. Depois de tanto tempo afastados, no mínimo seria estranho que chegasse de supetão. Ela não o esperava, isso era um fato. Talvez achasse que estivesse morto ou que a esquecera. Mas nunca faria isso. Nem morrer, nem a esquecer.

Corria o risco contrário. Ela poderia ter se livrado de todas as recordações e encontrado um novo amor. Quem saberia? A vida da voltas, os encontros ocorrem. E os desencontros também. Ele só precisava ter certeza. Se fosse isso, assumiria a sua responsabilidade e desaparecia novamente. Dessa vez para sempre. Desaparecer era uma de suas melhores habilidades.

Não sabia explicar o por quê de seu desaparecimento. Nem lembrava quando foi que parou de telefonar. A única certeza que possuía é que, todos os dias, seus primeiros e últimos pensamentos eram dela. Eram nela. Eram por ela. E se conseguiu sobreviver, as coisas que via, os tiros trocados e os perigos sofridos, era por ela.

Talvez, pensando assim, lembraria que foi por ela também que desapareceu. Em algum momento, daquela guerra sem motivos, perdeu as esperanças sobre seu findamento. Perdeu a fé nos homens que lhe comandavam. E nos que comandava também. Perdeu o respeito pela vida. Por qualquer vida. Sentiu-se indigno de qualquer tipo de sentimento. Não podia fazer com que ela sofresse depois. Então, resolveu antecipar o sofrimento.

Mas a guerra acabou. Ou pelo menos para ele acabou. Não era um desertor, só não mais era um soldado. Pediu baixa das trincheiras e resolveu lutar por algo que acreditava e que nada mais tinha a ver com poder e conquista. Agora lutaria pela vida, lutaria por ela se fosse preciso e lutaria para findar todas as guerras.

Homens acreditam que a arma erguida lhes confere soberania. Que a terra conquistada lhes da poder, que a morte de outro vale se for para o bem maior. O bem maior de quem? Tudo que acreditou durante a vida, não fazia mais sentido. Descobrirá, enquanto uma bomba explodia seus companheiros ao seu lado, que a maior conquista de um homem era a mulher amada.

Por isso voltara. Aproximava-se devagar. Não sabia quais palavras usar. Elas seriam necessárias e ele sempre foi o homem das armas. Palavras se resumiam a sim, senhor e comandos de manobras, para destruir o inimigo.

Deus não falha aqueles que pedem sua segunda chance. As mãos do destino fizeram com que ela virasse o rosto em sua direção. Ele parou. Congelado em seu lugar, sentindo algo queimar por dentro, mas incapaz de descongela-lo por fora. Ela sorriu. Sorriu e correu. Correu e chorou. Chorou e caiu em seus braços. Caiu em seus braços e o encarou. E quando os olhos se encontraram, as palavras não foram necessárias. Os crimes de guerra perdoados. E a nova batalha estava traçada. Mas a única conquista que lhe interessava era o coração e curvas da mulher amada.

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