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  • Luísa Aranha

Oxigênio

Me falta o ar.

Eu já não falo,

Não caminho.

Não escolho por mim.


Estou deitado.

Depois de dias na luta

No sol quente

Vendendo tambaqui na rua

Eu caí.

Tinha um tubo.

Mas agora,

Dali nada entra.


Os pensamentos confusos.

Estou dormindo?

Acordado?

Sonhando?

Me falta o ar.


E na tv, distante,

Que nunca desliga,

E cada vez anuncia um número maior


A voz do presidente ecoa

“E daí?

É só uma gripezinha.

Vai quebrar o país

se fechar.”


Me falta o ar.

Morri.

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