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  • Luísa Aranha

O último luau

A noite estava clara, na beira da praia, a lua cheia, redonda e brilhante, refletia nas ondas serenas do mar, que chegavam até os meus pés e lavavam minha alma. Olhei para eles, sentados na areia, rindo, bebendo as últimas long necks no bico. O fogo, acesso de forma improvisada, com alguns gravetos encontrados perdidos nas dunas, iluminava cada um dos rostos e eu senti uma melancolia de tudo que não veria mais depois daquela noite. Não era eles que estavam mudando. Era eu. Eu havia feito minhas escolhas e, provavelmente, a parte mais difícil era deixar eles para trás.  Eu voltaria, haveriam outros luais, mas seria igual?  Depois de deixa-los, nos reencontros, talvez anuais, teríamos a mesma sintonia? Aquele luau era minha despedida. E eu os observava com carinho. Cada um dos rostos que me sorria feliz. Eles estavam empolgados. Eu desvendaria um mundo novo. E seria possível faze-lo sem eles por perto? Não haveriam mais luas cheias a beira do mar, nem fogueiras improvisadas nas rotinas da minha vida. Não teria mais os luais para conversar, brincar de dividir com eles. Seria noites em um quarto com paredes frias. Dividiria minhas histórias com uma cama de segunda mão, um guarda roupa e uma escrivaninha velha.  Onde ficariam as risadas? Os banhos de mar a meia noite? Os rostos emoldurados pelo fogo cheio de sorrisos? Escuto eles cantando e volto dos meus devaneios. Se a partida é inevitável, o último luau será inesquecível, para que eu encontre as forças que preciso nas memórias quando a solidão bater e eu acredite que as escolhas tenham sido erradas. Mesmo sabendo que não foram. 

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