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  • Luísa Aranha

No fundo do poço

ue certezas nós temos

Quando nada mais sustenta?

Capitalismo, fascismo, racismo.

Machismo.

Assassinos.

Mortos. Corpos empilhados.

Foi a mão amiga ou do Estado?

Não sabemos.

Não vimos.

Só sentimos.

Um dia um vírus.

Aumento do feminicídio.

E daí? Não sou coveiro.

Messias que não faz milagre.

Mas mente, mata, ataca.

Não consigo respirar.

Não consigo parar de chorar.

É tanta dor, tanto medo, tanto desalento.

Em quem confiar?

Na polícia que agride

No político que rouba

No juiz que acusa.

A gente não sabe qual é o fundo do poço.

Ele sempre parece que chegou

Mas ainda não.

Um milhão de mortos

Fechamento do Congresso

Guerra civil

Ditadura Militar

Ato inconstitucional número cinco.

Fome, violência, isolamento.

Sofrimento, dor, perdas.

A mãe, o pai, os filhos.

Os amores. São vidas perdidas.

Chegou?

Não sei. Não sabemos.

Por sorte existe a ciência.

E uma pá.

No fundo do poço tem uma pá.

E muitos esqueletos.

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