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  • Luísa Aranha

Linha de saída

Em algum lugar, entre o nada da minha existência e o tudo da dor de não te ter, existe um eu que procura uma saída. A saída da tormenta intempestiva de te querer demais. A saída pela culatra dessa história que massacra a minha alma.  A linha de saída que não se mantem reta e que sempre que se aproxima do fim volta ao início de tudo.

Não existe recuo, nem tiro de disparada... Ninguém conta 1,2,3 já para mim. Eu fico ali, esperando que algo aconteça e me faça correr. Sair saída e cruzar a linha de chegada. Mas eu não sei o que haverá lá. Então eu sigo esperando. Mesmo que a dor de te perder me dilacere em cada ponto.

Eu sei. Não existe nada que não possa ser superado. Não existe amor que doa tanto a ponto de matar. Ou existe? Um dia eu vou rir. Um dia eu sairei em disparada dessa história. Um dia... Mas agora, agora estou estagnada, na linha de saída esperando que alguém me empurre.  Do chão eu não vou passar. Já estou lá. Do amor eu vou lembrar. A dor eu irei esquecer. E a vida seguirá em frente. Um dia...

A saída eu sei qual é. Estou ali, parada a sua porta. Esperando parar de sangrar a carne, parar de doer a alma, parar de chorar as migalhas. O seu amor, ou a falta dele, me devastou. Me quebrei em tantos pedaços, que não existe cola que os una novamente. Eu me reconstruo, do jeito que dá, esperando pelo apito inicial, para ouvir o apito final. Os fogos estourando, a champanhe jorrando. Na linha de saída ou visualizo a linha de chegada e eu espero que quando eu ultrapassar, do outro lado, que lá esteja o meu amor próprio.

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