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  • Luísa Aranha

Clichê

Eu não sou a garota da trepada casual. Eu sou aquela que espera um telefonema no dia seguinte. Eu não sou a mulher que consegue ter limites, regras ou agir racionalizando tudo. Eu sou aquela que age por impulso, que não planeja as coisas, que ocupa as pessoas 24 horas por dia brincando, provocando, ou simplesmente só falando de qualquer besteira. Eu não sou a menina fácil de lidar. Eu sou a complicada que tem surtos incríveis, que chora compulsivamente sem motivo e que sofre de ansiedade mórbida. Eu sou a pessoa que se esconde atrás de uma imagem que não é minha.

E mesmo sabendo tudo isso você está lá. Pronto. Estendendo as mãos e me levantando do chão. Me emprestando teu ombro, ouvidos e tua boca. Me fazendo lutar contra minha necessidade de dificultar. De fugir. Me segurando para ficar. E eu me esforço para não admitir que me apaixonei por você. Me apaixonei por alguém que eu nunca senti o gosto, experimentei o toque ou se quer olhei nos olhos.

Talvez seja patológico. Talvez seja fácil me apaixonar por você justamente porque não é real e assim eu me mantenho segura e continuo querendo o que eu não posso ter. Talvez seja a forma de mostrar pra mim mesma que finais felizes não existem além das paginas idiotas dos livros que leio. A culpa é minha. A complicação é minha...

A verdade é que eu sou carente. Necessito de atenção constantemente. Eu aprendi a sorrir mesmo chorando. Curei algumas feridas, cicatrizei outras, mas tem as que continuam abertas. Eu afasto quem se aproxima e transformo tudo em histórias pra viver versões de mim mesma que não existem. Historias complicadas, enroladas e clichês onde o final feliz compensa todo o resto e abstrai a realidade.

E a tua história eu já vivi. Essa versão de mim mesma já superou os obstáculos, os medos e traumas e chegou ao seu viveram felizes pra sempre... e eu não posso viver essa mesma história porque não dá pra inventar um outro roteiro ou final. A história já findou. Mesmo no meu mundo imaginário, não existem máquinas do tempo pra voltar e mudar os acontecimentos. Nem magia. Muito menos universos paralelos.

O fato é que eu não quero ter que lidar com você. Com a sua vida e com as tuas limitações. Eu não quero viver essa história que eu já coloquei no papel e encerrei. Eu não quero ter limites, não quero sentir, não quero me machucar, não quero imaginar ou ficar criando situações e expectativas que podem nunca se cumprir. Eu não quero admitir que criei em ti o personagem perfeito e que me apaixonei por ele.

E mesmo que você sempre me inspire em escrever belos textos eu não posso. Não posso admitir, não posso me curar de novo, não posso recair. Não posso te arrastar pra mim. Não posso me prender a ti. Simplesmente não posso. Não consigo ser assim. Desculpa.

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