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  • Luísa Aranha

Chega, eu não sou super!

Sabe quando dá aquela vontade de jogar tudo para o alto e sair gritando "Chegaaaaaaaaaaaa"? Então? Chega! Eu não sou perfeita! Chega! Não aguento mais tanto trabalho! Chega! Eu não quero assumir outra responsabilidade! Chega! Não estou nem ai para a grana! Chega! Eu não estou sempre de bom humor! Chega! Eu quero bem mais da vida! Chega Eu não acerto sempre! Chega! Eu tenho o direito de estar deprimida!

Pessoas como eu, ou como as outras pessoas me enxergam, estão sempre sobrecarregadas. Acabam sempre com a responsabilidade de ser o lado forte de todas as relações. Sempre estão fazendo milhares de coisas e sorrindo para todo mundo. Não tem tempo ruim. Não tem nem chance, as vezes, de parar e respirar.

A verdade é que sou uma pessoa qualquer. Eu não sou uma super mulher. Não sou super nada. Sou comum e quero ter o direito de ser comum. Gosto dos desafios, mas quero ter a chance de dizer não. Aliás, dizer não, de vez em quando, é ser mais super do que dizer sempre sim. Dizer não é respeitar a si mesma e os meus limites. E dizer não sem culpa é a grande questão.

Poucas pessoas conhecem o meu lado sombrio. Poucos amigos sabem que eu choro de tristeza e desespero. Muitos poucos já viram eu com a calça velha de moleton e a camiseta surrada, a cara inchada, o nariz escorrendo e a voz embargada. Eu quero poder ficar assim mais vezes.

Quero ser fraca de vez em quando. Quero ser consolada em vez de consolar. Quero ouvir palavras amigas em vez de dizer. Quero ficar quietinha em vez de fazer barulho. Quero dormir sossegada o dia inteiro sem ninguém ficar cobrando porque eu não estou bem. Eu só quero ter o direito de, apenas por uns instantes, sair fora do mundo e entrar no meu mundo particular.

O meu mundinho perfeitamente desorganizado que é meu esconderijo pessoal. Eu quero ter esse direito. Chega de ser super. Chega de ser forte. Chega de ser perfeita. Eu quero poder errar e ninguém me cobrar. Eu quero ser apenas eu mesmas, com todas as delícias e desilusões que isso possa trazer.

Estar de cara lavada, roupa surrada e pés descalços e mesmo assim me achar sexy, linda e maravilhosa. Mandar alguém ir catar coquinho ou dizer " Ema, ema, ema cada um com seus problemas" e não ser chamada de insensível, mal educada ou dizerem que eu mudei. É. Sim. Mudei. Cansei e agora chega!

Tô ocupada demais com a minha vida, meus sentimentos, meus problemas e, se quiser, deixe recado após o sinal, mas olha não dou nenhuma garantia de que vou responder a não ser que seja do meu interesse. E viva a teoria do desapego, do dizer não sem culpa e do olho por olho, dente por dente.

Por que? Só eu não posso ser egoísta de vez em quando? Olhe para você mesmo antes de me criticar e pense quantas vezes você faz o mesmo... Não precisa responder. Apenas refletir e seja muito feliz. Daqui a pouco essa fase passa e aí eu já perdi a chance de viver para mim.

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