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OLHOS FECHADOS

“Mulher não identificada é encontrada à beira da morte  com o crânio esmagado na rua das Laranjeiras, movimentando hoje o bairro de classe média alta”, essa foi a manchete que não saiu nos noticiários no dia em que Margarida Souto, advogada e ativista, conhecida internacionalmente pelo seu trabalho em defesa de vítimas de violência doméstica, voou da sacada do seu apartamento. Tampouco o marido, também conhecido defensor das mulheres, popular nas redes sociais com dicas sobre como reconhecer o comportamento de um abusador, notificou seu desaparecimento. Os vizinhos não sabiam quem ela era, um problema com pássaros madrugadores ocupava seus pensamentos, não alguém quase morto no asfalto.

Em compensação, outra manchete, a de um corpo flutuando no cais do porto da cidade, meses depois, deixou a sociedade chocada. Chocada o suficiente para fazer a polícia correr atrás do que parecia ser uma queima de arquivo de algum bandido local. 

Apenas duas pessoas queriam saber da pobre moça do crânio esmagado: um jornalista novato que perdeu seu emprego por motivos escusos e uma mulher que observara o corpo no asfalto. E a única coisa que eles têm em comum é o  desaparecimento de Gregório Basso. 

 Só Margarida Souto é capaz de esclarecer o que houve, porém, assim como todos a sua volta, que não enxergam o que acontece embaixo de suas vistas, ela está de olhos fechados.

AVISO DE GATILHO: violência doméstica, estupro, abusos sexuais e psicológicos.